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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Salazar Slytherin: anacronismo e pureza de sangue


    Olá amigos potterianos! Há séculos que não posto por aqui... Ando precisando mesmo de um vira-tempo. Depois de muito tempo sem ler HP consegui fazer uma pseudo-releitura da série esse ano e como sempre novas ideias surgiram, gostaria de dividir algumas delas com vocês na coluna a seguir, mas antes falemos sobre Relíquias da Morte parte 2.
    Sim, todos se sentem vazios depois dessa estreia. Por mais que 2007 tenha sido o pior ano para a maioria de nós, esse prolongamento da série cinematográfica nos ajudou a superar, pois ainda tínhamos o que discutir. Porém, não vim aqui para fazer o discurso melodramático (os que me conhecem sabem que esse não é o meu estilo), gostaria apenas de dizer que para mentes bem-estruturadas como as nossas, tudo é apenas a aventura seguinte.
    Harry Potter só acabará no dia em que ninguém mais lembrar, refletir ou discutir sobre a série e sabe quando isso vai acontecer? Nunca! Faço agora um apelo mesmo: vamos parar de chorar e nos despedir como se fosse o fim, ainda temos muito que discutir, haverá o Pottermore com inúmeras informações incríveis e temos nosso amor à série, os amigos que fizemos nesses anos de devoção a saga... Ainda existe uma aventura seguinte, afinal! Não deixem de reler, rever e escrever fics, colunas, teses e afins. São nas ações de fãs a cada dia que a série permanecerá sempre viva!

Sem mais delongas, vamos a coluna em si. Não esqueçam de um “malfeito-feito” ao final da leitura e dos comentários. :)

Fanart de J. Lestrange.


                                Salazar Slytherin: anacronismo e pureza de sangue 


    Como o título já diz, neste texto pretendo discutir a figura de Slytherin e o conceito de pureza de sangue creditado ao lendário fundador de Hogwarts. Minhas reflexões partem da ideia de que somos anacrônicos ao discutir Salazar Slytherin, visto que nos revoltamos com uma ideia proposta no “olho do furacão”: a Idade Média. Desenvolvamos... 
    Desde o primeiro encontro de Hagrid e Harry em Pedra Filosofal nos deparamos com uma visão perpetuada sobre Sonserina, segundo Hagrid “Não tem um único bruxo nem uma única bruxa desencaminhados que não tenham passado por Sonserina” (PF:73). Como sabemos essa é uma afirmação deveras extremista, pois não leva em conta o caso Rabicho (ou Sirius, na época ainda não inocentado), por exemplo. O importante é que desde o começo temos uma visão clara do que é a Sonserina, visão que Rowling tenta derrubar na pessoa de Snape ou em entrevistas nas quais diz ter havido sonserinos na Batalha de Hogwarts. O problema é que a visão global sobre a casa estava formada e esta sempre será o lugar da pureza de sangue, do preconceito e de prováveis bruxos das trevas. 
    Ora, quem foi que disse que Slytherin era um bruxo das trevas para começar? Ele cometeu um grande erro ao construir a Câmara Secreta, mas será que a história pode ser tão simplificada? 
    Em Câmara Secreta o Prof. Binns - em um de seus poucos momentos úteis na série - conta sobre a fundação de Hogwarts e o desentendimento entre Salazar e os outros fundadores das casas: “Os senhores todos sabem, é claro, que Hogwarts foi fundada há mais de mil anos... a data exata é incerta... pelos quatro maiores bruxos e bruxas da época. As quatro casas da escola foram batizadas em homenagem a eles: Godrico Gryffindor, Helga Hufflepuff, Rowena Ravenclaw e Salazar Slytherin. Eles construíram este castelo juntos, longe dos olhares curiosos dos trouxas, porque era uma época em que a magia era temida pelas pessoas comuns, e os bruxos sofriam muitas perseguições” (CS:131). 
    A data aproximada da fundação de Hogwarts é por volta de 992 d.C e como os diz Binns era uma época difícil para se revelar a magia, por isso a necessidade de construir o castelo longe de redutos trouxas. Muitos dirão que os bruxos não sofriam de verdade com as perseguições trouxas na época medieval, pois como Harry estuda em Prisioneiro de Azkaban, havia bruxos que até gostavam de ser queimado na fogueira, como era o caso de Wendelin, a Esquisita (PdA:09). Contudo, se era tão simples sumir ao olhar dos trouxas medievais por que construir Hogwarts às escondidas? E por que posteriormente se assinaria um Estatuto Internacional de Sigilo em Magia? Simplesmente porque não era fácil e tampouco agradável viver dessa forma.  
    É justamente nesse momento histórico de animosidade entre bruxos e trouxas que ocorre o rompimento entre Salazar Slytherin e os outros três fundadores de Hogwarts. O Prof. Binns comenta que “durante alguns anos, os fundadores trabalharam juntos, em harmonia, procurando jovens que revelassem sinais de talento em magia e trazendo-os para serem educados no castelo. Mas então surgiram os desentendimentos. Ocorreu uma cisão entre Slytherin e os outros. Slytherin queria ser mais seletivo com relação aos alunos admitidos. Ele acreditava que o aprendizado de magia devia ser mantido no âmbito das famílias inteiramente mágicas. Desagradava-lhe admitir alunos de pais trouxas, pois os achava pouco dignos de confiança. Passado algum tempo houve uma séria discussão sobre o assunto entre Slytherin e Gryffindor, e Slytherin abandonou a escola”. (CS:131) 
    É notável que a seleção proposta por Slytherin revela um aspecto de desconfiança muito maior do que o tão falado preconceito sanguíneo. Percebemos que o bruxo tinha medo de ser traído pelos nascidos trouxas que deixassem entrar em Hogwarts, era um momento de crescente hostilidade entre os dois povos e Salazar propõe muito mais cuidado do que qualquer outra coisa. Naturalmente os outros fundadores de Hogwarts não eram tão inflexíveis quanto Slytherin e preferiram acreditam na lealdade dos nascidos trouxas aos seus poderes mágicos. Helga, Rowena e Godric viram além de seu tempo e merecem todo nosso respeito por isso, mas não podemos considerar os argumentos de Salazar indignos pois se assim agirmos, não levaremos em conta as relevantes questões de História da Magia presentes na série.
   Pergunto-me se Slytherin pensaria da mesma forma caso pudesse ver Hogwarts no futuro, será que o bruxo seria favorável as ações de Lord Voldemort, por exemplo ou talvez vendo bruxas absolutamente geniais como Lily Evans e Hermione Granger ele perceberia que seus medos eram infundados. Estamos falando de um dos maiores bruxos de todos os tempos, que foi amigo de outros três grandes magos de seu tempo, não creio que o astuto Slytherin dos brejais fosse tão inflexível ao ponto de não notar o óbvio: a magia não escolhe sobrenome. Acredito que nós é que vemos o passado com olhos de quem conhece o futuro e não percebemos os meandros da história humana. 
    Voltemos a ideia de que Salazar tenha sido um bruxo das trevas. Corrijam-me se estiver enganada, mas isso não tem respaldo cannon em lugar algum, muito pelo contrário, não se fala sobre os passos de Salazar após sua saída de Hogwarts e, sem dúvida, se o bruxo tivesse sido uma espécie de Grindelwald ou Voldemort do medievo isso seria mencionado. O único ato de Salazar foi criar a Câmara e esperar que seu herdeiro viesse “para expurgar a escola de todos que não fossem dignos de estudar magia” (CS:132), algo que não teria acontecido se Lord Voldemort não chegasse a Hogwarts (vejam quanto tempo a Câmara ficou encerrada). 
    Talvez a grande marca do bruxo das trevas seja a ofidioglossia e como Slytherin possuía o dom ele era, obviamente um bruxo das trevas. Pois bem, vamos pensar só um pouco antes de fazer uma afirmação tão extremista (afinal, afirmações extremas não são nada boas). Além de Slytherin, os ofidioglotas conhecidos são: Servolo Gaunt, Mérope Gaunt, Morfino Gaunt, Tom Riddle, Herpo, o Sujo e Harry Potter. 
    Podemos excluir Harry da lista, pois, como sabemos, seu dom foi transmitido por Lord Voldemort na fatídica noite em que o menino sobreviveu. Temos os Gaunt, seres medíocres que atacam trouxas acreditando numa superioridade a muito perdida, mais dignos de pena do que qualquer outra coisa. Há também Riddle, inegavelmente um bruxo das trevas e Herpo, o Sujo que foi “um bruxo das trevas de nacionalidade grega e ofidioglota, que descobriu, após muitas experiências, que um ovo de galinha chocado por um sapo produzia uma cobra gigantesca dotada de poderes extraordinariamente perigosos” (AFOH:24). Dizem (mas há controversas) também que Herpo teria sido o primeiro a fazer uma horcrux, portanto, este era um grande nome para o lado das trevas.  
    Com exceção de Voldemort e Herpo não há indícios de outros bruxos que tenham feitos das trevas memoráveis e se pensarmos que o grande feito comprovado de Herpo foi um experimento com criaturas mágicas à la Hagrid estamos em sérios apuros ao afirmar que ofidioglossia é um dom das trevas.                Sinceramente, a primeira vez que vemos esse dom ser utilizado é um dos momentos mais mágicos da série, quando Harry liberta a Boa Constrictor (PF: 29) e acho um grande exagero dizermos que ofidioglossia é um dom das trevas baseados em números tão pequenos.  
    Se Slytherin não pode ser considerado alguém realmente mau pelos motivos acima citados resta-nos os seus valores, aqueles mesmos que observamos nos alunos da Sonserina: ambição, astúcia, desenvoltura e puro-sangue. Talvez não sejam mesmo os melhores motivos para se aceitar alguém, mas essa é a lógica da seleção das casas; desprezar certos valores em relação aos outros. Se pararmos para observar com cuidado é possível que Helga Hufflepuff fosse a única a exigir dignos valores de seus alunos e os mais difíceis de conseguir: lealdade, justiça e tolerância. Deixemos a contestada seleção das casas de lado, até porque a essa altura a maioria de vocês já conhece minhas opiniões sobre elas e não é este o foco de meus rodopiantes pensamentos no momento. 
    Não estou aqui para defender as ações de Salazar Slytherin, ele errou, não visualizou o futuro do mundo bruxo como os outros fundadores de Hogwarts e se deixou levar pelo medo, não foi sábio o suficiente. Mesmo assim não podemos culpá-lo por todas as apropriações que os bruxos fizeram de suas ideias no futuro, pessoas que não levaram em conta o tempo e espaço em que Salazar estava inserido. Seria o mesmo que culpar Nietzsche pelas apropriações nazistas de suas obras. Os homens usam as ideias da forma que bem entendem e a saga demonstra isso a todo o momento. Slytherin foi apenas alguém reagindo ao seu tempo e muitos sonserinos não perceberam o anacronismo ao utilizar essas ideias num mundo contemporâneo em que tais teses, a muito, foram superadas. Culpemos, pois, os que se utilizam de argumentos ultrapassados para praticar o mal e não aqueles que defenderam coisas convenientes em outros tempos e a outras formas de entendimento.

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domingo, 11 de julho de 2010

O Poder Dominado: Do Um Anel a Varinha das Varinhas

Mais uma vez estou aqui para dividir alguns dos meus rodopiantes pensamentos com vocês. Esse tema me encanta profundamente e acho que existem inúmeras maneiras e exemplos possíveis ao se abordá-lo. O que só comprova minha tese de que as discussões sobre Harry Potter são infinitas, algo que me alegra, pois dará “vida longa e próspera” ao nosso fandom. Esse texto é um daqueles onde exponho muito do que minha mente confusa pensa sobre o mundo e gostaria de saber qual a visão de vocês sobre todas essas questões e se é, apenas a mim, que elas parecem angustiantes.
Boa leitura e não deixem de comentar!

PS: A fanart que usei na postagem vocês encontram no TLC.



Por Paty Moreira

O título deste texto pode parecer estranho, pois os objetos com que exemplifiquei este “poder dominado” são, na verdade, dominadores por natureza, mas neste texto analisarei uma questão que me parece estar intimamente relacionada nas séries “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”: a busca pelo poder. E não apenas a busca em si, mas a forma como somos escravos do poder, como nosso poder é dominado por nossa vontade de dominar. Creio que essa introdução não foi nada clara, mas aos poucos, espero, chegaremos a algum lugar.

Essas relações com o poder que aparecem em ambas as sagas estão ligadas fundamentalmente a dois personagens (excluirei os vilões nesta análise). Em “Harry Potter”, usarei apenas o protagonista, e na saga de Tolkien, falaremos de Tom Bombadil. Ambos são bons, lidam com o poder, mas não se deixam dominar por ele, o oposto da maioria de nós, e talvez por isso, eles dominem.

Tom Bombadil é uma das personagens mais discutidas pelos fãs da obra de Tolkien, pois ele não se encaixa no perfil de nenhum personagem específico da saga, sendo impossível descrevê-lo como Hobbit, Homem, Anão, Elfo, um espírito da natureza, Aulë ou o próprio Eru Ilúvatar. Não entrarei nos motivos que tratam de tal impossibilidade, pois não é o foco da analise, mas indico este artigo para maiores detalhes. O que importa saber é que Tom não é uma criatura classificada na saga e isso é extremamente relevante para compreendê-lo. O alegre Tom também é aquele que toca o Um Anel sem ser influenciado por seu poder, que pode enxergar Frodo quando este usa o anel para ficar invisível, “Ele é” como diz Fruta D’Ouro, mas não domina, pois “As árvores e o capim e todas as coisas que crescem ou vivem neste lugar só pertencem a si mesmas. Tom Bombadil é o Senhor”.

Tolkien criou o oposto do ideal da modernidade - que nos faz ignorar os sentimentos e controlar tudo de forma racional - Tom Bombadil é o desejo do puro conhecimento, ele é o Senhor, tem o poder, mas sabe que cada coisa existe com um propósito particular que não lhe dá o direito de dominar. Ele não é escravo do poder, não se deixa controlar pelo desejo de dominação, é uma alma livre e espirituosa, que tudo conhece e nada tem, e por isso não é afetado pelo anel, uma vez que o “Anel do Poder” para “todos trazer e na escuridão aprisioná-los” precisa de reféns que façam dele poderoso, seres que sejam escravos do desejo de conhecer e dominar. Tom é um aliado do poder do conhecimento e o anel nunca poderia alcançá-lo.

A relação de Tom Bombadil com o poder é clara, Tolkien já disse em cartas que ele é apenas um parêntese na história, indecifrável, no entanto, alguém que nos dá uma lição valiosíssima. J.K. Rowling não falou tão claramente sobre os propósitos de Harry, mas deixou pistas que usarei para tentar expor meu ponto de vista sobre o assunto, lembrando que esta é uma hipótese e não uma certeza quanto aos intentos da autora.

Parece-me que Harry lida com o poder de forma semelhante com a de Tom. O poder a que me refiro em Harry Potter são as Relíquias da Morte, especificamente a Varinha das Varinhas. Harry, assim como Tom, é o Senhor, conquista o direito e a lealdade desses objetos que seriam um sonho para todos nós. Dumbledore deixa bem claro o motivo que faz de Harry o “digno possuidor das Relíquias” e esse motivo, a meu ver, é a forma como Harry lida com o poder, ele é um líder nato e não deseja a liderança (como costuma acontecer com os verdadeiros líderes), espera viver em paz e não está à procura de glórias. Harry domina porque merece e sabe que não é dono de nada.

Quando Rony se impressiona por Harry dizer que não ficará com a varinha, ele simplesmente responde “A varinha não vale a confusão que provoca”. No momento em que está consertando sua varinha antiga, temos mais uma fala do digno dominador: “Eu sei que é poderosa, mas eu era mais feliz com a minha”. O protagonista da saga de Rowling está preocupado com a felicidade e não com o poder, isso o motiva antes de todas as coisas e é o que lhe dá poder, fazendo de Harry alguém tão livre quanto Tom, capaz de se sacrificar pelo próximo e não se deixar escravizar por aquilo que supostamente devemos desejar.

São personagens movidos essencialmente por sentimento, algo que me parece ser o grande aliado da verdadeira liberdade. Em análise aos Contos de Beedle, Dumbledore diz que “os humanos têm um pendor para escolher precisamente as coisas que lhes fazem mal” e que a moral do conto não poderia ser mais clara: “os esforços humanos para evadir ou superar a morte estão sempre fadados ao desapontamento”. A morte é apenas um dos inúmeros conhecimentos que estamos fadados a nunca compreender totalmente e em nossa sede de encontrar a verdade para dominar, escolhemos aquilo que nos faz mal, nos perdemos em conceitos e lógica e não vivemos plenamente.

Vejo uma mensagem muito importante nesses dois personagens, que me faz pensar sobre como somos dominados pelo poder e não conseguimos dominar nada. Temos tanta necessidade de conhecer plenamente, de encontrar respostas e controlar tudo, que perdemos o caminho do verdadeiro poder e conhecimento. Parece que a maioria de nós não consegue entender as escolhas de Tom e Harry, não podemos viver fora dos padrões “racionais”, somos o povo da “Liberdade, Igualdade e Progresso”, presos em conceitos que não explicam a necessidade de desigualdade, as especificidades de cada um e não enxergamos que o progresso não existe como um fim imediato, pois cada indivíduo tem seus próprios valores e sonhos que levam a progressos diferentes, e no meio de tanta busca e racionalidade não entendemos mais o que é liberdade.

Para mim é uma grande lição, não sei se intencional, no caso de Harry, mas sem dúvida no caso de Tom Bombadil, é algo que me faz refletir e me tira muitas noites de sono. Não sei como resolver o problema, não acho que todos podem ser como esses personagens, existe algo na liberdade deles que me escapa a imitação. Sei apenas que o mundo como está hoje é estranho e dominado, que a escravidão existe em nossos intelectos e isso me assusta, pois não vejo solução melhor. Refém do controle é o que somos, mas talvez chegue o dia em que seremos puramente dominadores e aliados como Harry e Tom. Espero, apenas, que esteja no caminho certo para essa conquista.

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sábado, 10 de julho de 2010

Nascimento


Olá, pessoal!

Primeiro, gostaria de agradecer pelos ótimos pensamentos em nossos textos, é um orgulho ter visitantes tão incríveis como vocês e acho que já estava na hora de agradecer.
Mas indo direto ao assunto, a maioria de nossos posts até o momento foram críticos e resolvemos postar algo mais leve para variar um pouco. É com prazer que anunciamos nossa primeira fanfic!
A ideia é que sejam fics em formato oneshot ou algo parecido, não muito longo para que vocês possam acompanhar da mesma forma que fazem com as colunas. Esse primeiro texto talvez seja conhecido de alguns, e foi escrito por uma potteriana muito querida no fandom, Marina Anderi e gostaríamos de agradecê-la pela colaboração.
Espero que vocês gostem da novidade e se houver alguém aí com esse talento incrível que queira dividi-lo conosco, mande suas fanfics para dapenseira@gmail.com. E antes que esqueça, a imagem usada nesta postagem é de Karmypu e vocês encontram no deviantart.

Sem mais delongas, confiram o texto da Marina na extensão!



Nascimento
Marina Anderi

Harry andava de um lado para o outro no corredor do St. Mungus.

- Cara, assim você vai furar o chão! – Disse Rony, sentado em uma cadeira.

- Rony, cala a boca, por favor – Disse Harry.

- Eu estou tentando ajudar, Harry. Senta, bebe uma água aê, relaxa.

- Não dá! Eu estou aqui há horas e nenhum curandeiro veio me falar nada!

Uma mulher de cabelos e olhos igualmente castanhos adentrou no corredor do hospital.

- Ai, Harry, desculpe a demora, é que as coisas no Ministério, pelo menos no meu departamento, estavam cheias – Disse Hermione, abraçando Harry – Como está Ginny?

- Sr. Potter? – Falou uma enfermeira.

- Sim? – Respondeu Harry.

- Nós, do St. Mungus, lamentamos lhe informar que a Sra. Potter morreu.

- Ãh? Que? Deve ter sido um engano, não pode ser!

A enfermeira começou a vasculhar os papéis presos em sua prancheta enquanto Harry se derramava em lágrimas.

- Ah! – Exclamou a enfermeira – Foi um engano mesmo, quem morreu foi a mulher do Sr. Pinnor... Desculpe o incômodo – E saiu do corredor.

- Bom, Mione, acho que a Ginny está bem – Disse Rony. Mione deu-lhe um tapa – Ai! Por que isso?

- Porque uma louca chega e diz que a Ginny morreu, minutos depois diz que foi engano. Meio traumatizante pra fazer brincadeira, neah? – Respondeu ela.

Harry lavou seu rosto a mando de Hermione e voltou a andar de um lado para o outro.

- Iiiiiiiiiiiiii, voltamos a estaca zero – Falou Rony.

Uma hora, dez minutos e cinquenta e sete segundos depois...

- Eu vou explodir! Se eu ficar mais um minuto sem notícias da minha esposa, eu invado o quarto dela! – Avisou Harry.

Nove segundos depois...

- Eu vou invadir o quarto dela! – Anunciou Harry.

- Cara, passaram-se nove segundos, não um minuto. E além do mais, Ginny está tendo um filho seu, não é como se ela tivesse sido atingida por um Sectusempra! – Falou Rony.

- É Harry, O Rony está certo – Disse Hermione – O parto pode demorar, segundo a Sra. Weasley, o parto de Percy durou exatas vinte horas.

- VINTE HORAS? Eu não vou conseguir aguentar vinte horas! Estou aqui há cinco! Eles pelo menos podiam me avisar como Ginny está, de preferência sem mandar uma enfermeira de merda dizer que ela está morta, me matar do coração e depois dizer que foi engano!

- Sr. Potter? – Disse o curandeiro.

- Senta que lá vem história – Sussurrou Rony para Hermione, que sorriu.

Harry se dirigiu até o homem de jaleco branco e disse:

- Diga, doutor.

- Seu filho acabou de nascer. Um lindo e saudável menino. Gostaria de vê-lo?

- CLARO!

A moça da recepção fez um "Shiii", mas Harry nem ligou, saiu correndo pra o quarto em que Ginny estava.

Ela chegou lá ofegante pela corrida.

- Hey, calma, Harry Relaxa, conta até dez: um, dois, três... Agora continua que eu to com preguiça – Disse Ginny.

Harry sorriu, sua respiração voltando ao normal.

Ginny estava deitada na cama, os fios de cabelos ruivos grudados em seu corpo por causa do suor. "Linda" pensou Harry "como sempre". Nos braços ela tinha um cobertor azul, onde um bebê estava acomodado.

- Vai ficar com essa cara de bobo ou vai vir conhecer seu filho? – Perguntou Ginny, tirando Harry de seus devaneios.

Ele se aproximou em passos lentos até a esposa. O bebê no colo dela era ruivinho.

- Ele não tem nada a ver comigo – Comentou.

- Verdade – O bebê abriu os olhos – Olá, James. Diga oi para o papai.

Os olhos castanhos de James foram até seu pai.

- Eu posso... Pegar ele?

- Que pergunta, harry. Claro que pode!

Harry pegou seu filho no colo. A sensação foi de muita felicidade.

- Eu gostaria de mudar o nome dele – Avisou.

- Sinto muito, acho que ele já atende por esse nome – Argumentou Ginny.

- Não, só vou acrescentar. James Sirius, o que acha?

- Bonito... James Sirius Potter, bem-vindo a família.

Ficaram paparicando o pequeno James, até que a enfermeira chegou e disse que Harry teria de sair do quarto em cinco minutos, pois Ginny e o bebê precisavam descansar.

- Obrigado – Disse Harry.

- Pelo que? – Falou Ginny.

- Por me dar a família que eu nunca tive. Eu te amo, muito.

- Eu também.

Deram um beijo profundo, só pararam por causa de James.

- Quando você sai do resguardo, mesmo? – Perguntou Harry.

Ginny riu.

- Sinto muito, quarenta dias.

- Pena... Bom, então eu vou ligar pra Cho Chang!

- Harry. James. Potter. Sou casada com você, mas ainda tenho muito irmãos...

- Acho que foi isso que me atraiu em você, eu amo perigo.

Dito isso, Harry saiu correndo do quarto. Uma coisa que aprendeu sobre sua esposa em seus anos de casamento, foi que com Ginny, não se brinca.

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Primeiros pensamentos

Sejam bem-vindos, leitores!

É realmente difícil descrever esse ato que realizamos sempre e sequer notamos, talvez a imagem da Penseira nos sirva bem a esse propósito, o ato de pensar em constantes rodopios e perspectivas. Os pensamentos, por mais que nos assombrem, estão em conexão com o que somos e (quase sempre) nos são compreensíveis. A grande dificuldade está em dividí-los com alguém, sabendo da possibilidade de ser visto como um louco, ser criticado ou humilhado, por que ao transmitir nossas reflexões, mergulhamos num mar de conceitos em que podemos nos afogar sem nunca transmitir. Não é fácil dividir pensamentos, então desculpem as possíveis reflexões ilógicas e mal formuladas, pois é difícil controlar o fluxo de rodopios e transferir lógica aos meus subjetivos pensamentos.

Hoje, postarei esse primeiro pensamento, sobre algo que muito me incomoda na série Potter há alguns anos e que talvez seja a única grande divergência que tenho com os modelos de Hogwarts: A seleção e divisão por Casas. Sei que será visto por muitos como uma grande heresia e espero fortes comentários a esse respeito, lembrando que está é minha opinião e não necessariamente as impressões do Flávio sobre o assunto.

Não adiantarei mais nada, apenas os convido a adentrar o mundo de meus rodopiantes pensamentos.

Divisão sem fundamento

Desde os primeiros capítulos de Pedra Filosofal, notamos as divisões no mundo mágico e escolhemos um lado. Harry Potter é a saga das escolhas, sem dúvida. A primeira e, possivelmente, mais importante divisão é a das casas de Hogwarts. Todo fã já fez sua escolha, baseando-se nos quesitos para pertencer a cada casa. Entretanto, conforme os anos passaram e o mundo Potter se tornou mais complexo e interessante, notei que essas divisões só existem por disputas internas entre os fundadores de Hogwarts, coisas que aconteceram há séculos atrás, mas é impossível definir uma pessoa por critérios de semelhança, como o Chapéu Seletor vem fazendo há anos, e essa divisão deixou marcas e trouxe destruição ao mundo bruxo.

Ao observar isoladamente os membros de cada casa, percebo que alguns se uniriam de qualquer forma, já que é natural ao ser humano manter contato com seus “iguais”, pessoas com opiniões e gostos parecidos com os seus; traçamos relações mais facilmente com esses “semelhantes”. Não posso duvidar, por um momento sequer, que a amizade do trio, por exemplo, sempre foi algo predestinado, como normalmente acontece com nossos grandes amigos: simplesmente ‘nos encontramos’. Harry e Rony passam aquela sensação de leveza característica dos encontros entre amigos: as conversas bobas, o apoio incondicional, mostrando também as brigas e diferenças, que são naturais em quaisquer relações. Hermione trás o equilíbrio com sua percepção mais apurada e seu raciocínio lógico, aprofundando a amizade do trio nas horas mais difíceis. Juntos, formam um grupo arguto, leal e corajoso, grupo que Gryffindor trataria muito bem, sem dúvida.

Quando penso nos Marotos, o encaixe deixa de ser tão perfeito. O grupo é brincalhão (até mesmo cruel, eu diria), nem um pouco preocupado e muito aventureiro. Ao olhá-los, percebo um membro perdido por ali: Pedro Pettigrew. Sirius e James são o encaixe natural, com certeza seriam amigos em qualquer situação. Lupin está mais próximo de pessoas como Lílian, discretas e bondosas como ele próprio. Rabicho, entretanto, não estaria próximo a ninguém em época alguma, nenhum membro da Grifinória (seguindo os critérios) seria naturalmente seu amigo. Ele não tem a coragem, nobreza, o sangue –frio ou qualquer outra qualidade dos membros de Grifinória, o que me leva a questionar as escolhas do Chapéu Seletor.

Muitos dizem que Rabicho é um legítimo sonserino, mas não vejo astúcia ou ambição em seus atos. Penso que a covardia o fez se unir sempre aos mais fortes, independente dos rumos que essas alianças pudessem tomar. É claro que Rabicho não foi ambicioso ao se unir a Voldemort, se fosse um homem ambicioso não viveria anos como um rato, com a prisão de Sirius, o natural seria sair livremente e tentar lucrar mais uma vez, o que não foi o caso. Sobreviveu tanto tempo não por astúcia, mas por sorte e insignificância.

Ao tentar colocar Rabicho junto aos lufanos não obtive êxito, falta-lhe a lealdade, a paciência, a sinceridade e todas as outras qualificações dos moradores desta casa. Na Corvinal ele também não estaria, já que não o considero inteligente, sábio, e tampouco um homem de “mente alerta”, então, onde estaria Rabicho?

Penso que se não houvesse casas, ele seria uma pessoa sozinha em Hogwarts, tirando notas baixas, tentando se juntar a qualquer grupo, mas sem muito êxito, vivendo isolado e perdido, seus anos pós-Hogwarts dificilmente o colocariam no caminho de Voldemort e da traição aos Potter, já que não haveria motivo para o Lorde se interessar por tal pessoa. Sirius (ou Lupin) seria o fiel do segredo, os Potter nunca teriam sido aniquilados e Harry jamais seria o menino da cicatriz. Ao colocar Rabicho na Grifinória, o Chapéu deve ter pensado que era um lugar onde Pedro aprenderia bons valores, mas isso não aconteceu e muitos pagaram por esse erro.

Outra personagem que vejo diretamente ligada a questão das casas é Severo Snape e imagino o mundo mágico com um Snape não-sonserino. Snape tem as qualidades sonserinas, que não vejo como defeitos, considero astúcia e ambição muito dignas quando usadas com sabedoria, nada em excesso é bom, na verdade. Um homem excessivamente corajoso, torna-se estúpido e leviano, colocando muitas vidas em risco numa batalha, por exemplo. A astúcia em justa-medida talvez ajudasse tal homem a refletir sobre seus atos neste momento. Junto às qualidades de um sonserino, Snape revela a coragem e o sangue-frio dignos de um membro da Grifinória, a lealdade Lufana, inteligência dos membros de Corvinal, logo, Snape poderia pertencer a qualquer casa e, possivelmente seria uma pessoa normal, pois as casas ajudariam a minimizar seu ego.

Longe da Sonserina de sua época, teríamos um Snape sem motivos para se unir aos Comensais, visto que nunca odiou os nascidos-trouxas, os Comensais não teriam interesse nele, já que não era um puro-sangue e legítimo sonserino. Snape seria sempre um rapaz problemático, considerando sua relação familiar, escolheria viver em Hogwarts para sempre, se pudesse, e teria grande interesse pelas Artes das Trevas (que tem mais relação com sua inteligência e curiosidade do que com crueldade, ao meu ver). Lílian seria, possivelmente, sua única amiga e acredito que sua relação com os Marotos não mudaria, no entanto, ele nunca perderia Lílian, pois não teria de escolher entre ela e os amigos Comensais e mesmo que a mulher se casasse com James, eles poderiam continuar amigos e Snape se tornaria apenas uma pessoa solitária e amargurada pelo amor não correspondido, mas sem culpa alguma em relação aos Potter, pois nunca colocaria Voldemort atrás de Lílian. Esse Snape em qualquer casa, ou sem casa alguma, poderia até mesmo se apaixonar, ser correspondido e superar seus traumas.

Sempre que penso nesses dois personagens, vejo como tudo seria diferente se não houvesse casas em Hogwarts. Sem elas, não teríamos os grupos se unindo tão facilmente, ideias sobre a superioridade dos puros-sangues existiriam, mas nunca teriam uma bandeira tão forte e espaço para procriar, como sempre foi na Sonserina. Pessoas como Neville e Luna não seriam humilhadas por serem diferentes, apenas se juntariam e formariam seus grupos “nerds”, sem a necessidade de honrar a critérios estabelecidos há mil anos.

Voldemort teria um trabalho muito maior para encontrar seguidores, pois eles não estariam nas masmorras, só aguardando um líder. Os Malfoy teriam seus ideais distorcidos, mas não encontrariam tanto espaço para pensar em formas de dominação da “ralé” e quem sabe, com o tempo, até mudassem um pouco tais pensamentos.

Dividir pessoas por uma de suas inúmeras qualidades é um absurdo e pode causar danos irreparáveis às sociedades, isso é algo que Harry Potter deixou bem claro. Somos seres complexos e não podem nos avaliar de forma tão unidimensional.

Por mais que, como potterfã, seja acostumada ao sistema de Casas e ache-as divertidas, sempre pensarei muito nas palavras de Dumbledore em Harry Potter e as Relíquias da Morte: “Sabe, às vezes penso que fazemos a Seleção cedo demais...”, para mim, as seleções, na verdade, nunca deveriam ter sequer começado.

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