
Não sei se vocês conhecem o livro A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, autor espanhol e finalista de prêmios literários na Espanha. Ganhei este livro de presente de aniversário no ano passado e, mesmo assim, ainda não o li por completo. Isto porque eu tinha outros livros na fila de leitura e também pela faculdade, que, definitivamente, reduz bastante meu tempo livre.
Em linhas gerais, o livro conta a história de um garoto, Daniel Sempere, cujo pai é dono de um sebo, loja de livros usados. O pai leva Daniel até um lugar pouco conhecido, O Cemitério dos Livros Esquecidos, onde livros antigos, raros e pouco conhecidos estão guardados, protegidos. Daniel é convidado a escolher um livro, qualquer um, dentre todos os que estão nas muitas prateleiras do lugar e, por coincidência ou destino, ele escolhe "A Sombra do Vento". O livro fascina-o e Daniel sente-se motivado a conhecer a obra completa do autor. A partir daí, o rumo de sua vida será mudado e o garoto será arrastado para uma teia de segredos e intrigas envolvendo Julián Carax, desconhecido autor do livro.
Enfim, esta semana eu comecei a lê-lo com o intuito de acabá-lo no começo das férias. E, mesmo com apenas 29 páginas lidas, deparei-me com três trechos que expressam tão bem aquilo que sinto pela saga Potter. Como a história é sobre um livro que fascinou um garoto, vejo que estas partes caíram como uma luva para minha relação com Harry Potter. Os três trechos estão transcritos logo abaixo; se, no prosseguir da leitura de A Sombra do Vento, eu me identificar com outros pontos, compartilharei com vocês.
Daniel Sempere: "Penetrei num mundo de imagens e emoções que jamais havia conhecido. Personagens que pareciam tão reais como o ar que respiramos arrastaram-me para um túnel de aventura e mistério do qual eu não podia escapar. Página por página, deixei-me levar pelo sortilégio da história e seu mundo, até que o hálito do amanhecer acariciou a minha janela, e meus olhos cansados deslizaram pela última página. O sono e a fadiga queriam me derrubar, mas eu resistia a entregar-me. Não queria perder o encantamento da história nem dizer ainda adeus aos seus personagens".
Clara Barceló (a personagem é cega, mas alguém lia para ela): "Eu não conhecia o prazer de ler, de explorar portas que se abrem na nossa alma, de abandonar-se à imaginação, à beleza e ao mistério da ficção e da linguagem. Tudo isso para mim começou com aquele livro. Este é um mundo de sombras, Daniel, e a magia é um bem escasso. Aquele livro me ensinou que ler poderia me fazer viver mais e mais intensamente, que poderia devolver-me a visão que eu tinha perdido. Só por isso, aquele livro mudou a minha vida".
Daniel Sempere: "Certa ocasião, ouvi um cliente habitual da livraria do meu pai comentar que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens, o eco dessas palavras que pensamos ter deixado para trás, nos acompanham por toda a vida e esculpem um palácio em nossa memória ao qual, mais cedo ou mais tarde, - não importa os livros que leiamos, os mundos que descubramos, o quanto aprendamos ou nos esqueçamos - iremos retornar. Para mim, essas páginas enfeitiçadas serão sempre as que encontrei entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos"; no meu caso, as que encontrei em Harry Potter.
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